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O que aprendemos

Antes de escrever uma linha de código, fomos à oficina deles

Com a Fundación Summer aprendemos que a tecnologia é o último passo, não o primeiro. Isto é o que fizemos antes da arquitetura.

Felipe Soto23 de junho de 2026 · 5 min de leitura

Em 30 segundos

  1. 01Antes de desenhar qualquer coisa, entenda o que a organização mede, por que mede e o que decide com isso.
  2. 02Construa o núcleo mínimo que resolve o problema real, não o sistema perfeito.
  3. 03Continue evoluindo por etapas: cada uma resolve o próximo gargalo.

Antes de escrever uma única linha de código para a Fundación Summer, o Edmundo e eu fomos a uma das oficinas deles. Não porque fosse obrigatório. Porque, sem isso, qualquer coisa que desenvolvêssemos seria tecnologia flutuando sem propósito.

A Summer trabalha com prevenção do suicídio em comunidades escolares. Suas intervenções têm uma metodologia própria, indicadores próprios e uma forma de medir que a equipe vem afinando há anos no campo. Nada disso se vê de uma mesa de escritório.

Nunca chegar com a ferramenta favorita

Desde que viramos sócios, nossa regra é uma só: nunca chegar com um conjunto de ferramentas favoritas sem entender o problema. Construir um aplicativo que funciona tecnicamente e não serve no dia a dia acontece o tempo todo. E não só nas ONGs.

Começar pela tecnologia

  • Escolher a plataforma primeiro
  • Pedir que a equipe se adapte
  • Medir o que a ferramenta permite
  • Descobrir tarde o que faltava

Começar pela organização

  • Ir a campo e ver como trabalham
  • Entender o que medem e por quê
  • Saber o que precisam demonstrar
  • Só então desenhar

O que fizemos antes da arquitetura

O primeiro passo foi alinhar. Entender o que a Summer estava medindo, por que media, que decisões tomava com essa informação e o que precisava demonstrar a quem a financia.

As quatro perguntas que respondemos antes de desenhar

  1. 1

    O que medem hoje?

    O que a equipe registra, mesmo que esteja no papel ou em planilhas soltas.

  2. 2

    Por que medem?

    Que parte da metodologia depende desse dado.

  3. 3

    O que decidem com isso?

    Se um dado não muda nenhuma decisão, não é prioridade.

  4. 4

    O que precisam demonstrar?

    Ao conselho e a quem financia, com qual número e com que frequência.

O mínimo que resolve o importante

Com isso claro, construímos o núcleo mínimo que resolvia a maior parte do problema real. Não o sistema perfeito: o sistema que podia funcionar hoje e melhorar amanhã.

Essa diferença importa. Uma primeira versão bem definida não é um produto incompleto: é uma aposta deliberada sobre o que é mais crítico. Desde essa primeira entrega, seguimos evoluindo com a Summer. Cada etapa resolve o próximo gargalo, sem reescrever tudo do zero.

Para se aprofundar

Não temos orçamento para tecnologia. E quem cuida dela depois?

São as duas perguntas que mais ouvimos antes de começar. Estas são as respostas que damos, sem letras miúdas.

O que vimos no Demo Day

Há alguns dias estive no Demo Day da Propel e vi o pitch da Summer ao lado de outras dez organizações do ecossistema social da América Latina. O aplicativo funcionando, com rastreabilidade real e um impacto que dá para medir.

O produto não funciona porque o código é bom. Funciona porque, antes do código, houve uma pergunta: o que esta organização precisa conseguir demonstrar? Essa é a pergunta que a maioria pula, e é exatamente ela que decide se um projeto de tecnologia cresce ou vira mais um sistema que ninguém usa.

Felipe Soto

Cofundador · Sumadots

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